Most arguments are ego competitions disguised as truth-seeking. Learning to say "you're probably right" will save you a lot of time and energy.
Shane Parrish
Olá!
Morgan Housel, escreveu no seu livro O que Nunca Muda: “People don’t want accuracy. They want certainty.”
Enquanto seres humanos, procuramos o controlo, queremos certezas e não apenas palpites. Gostamos da previsibilidade.
Mas, quando isso não acontece, que arrisco dizer é o mais comum, procuramos ter o controlo de alguma forma. E a teoria do controlo compensatório, ajuda a explicar isso mesmo.
Esta teoria afirma que temos uma necessidade fundamental de sentir que o mundo é estruturado, previsível e sob controlo. Quando essa perceção de controlo pessoal é ameaçada, tendemos a procurar fontes externas que lhes devolvam um sentimento de ordem e segurança.
A religião, os grupos organizados, o consumo excessivo de substâncias, são exemplos de meios que usamos para procurar ter o controlo novamente.
E, em alguns casos, essa necessidade de controlo pode levar à criação de novas ideias e/ou teorias. É aí que a Lei de Brandolini entra em cena.
A Lei de Brandolini é um princípio informal que, na sua essência, diz-nos que “a energia necessária para refutar um disparate é superior à necessária para o produzir”.
Ou seja, criar desinformação é rápido e simples. Basta uma frase apelativa e, muitas vezes, emocional, sem grande preocupação com rigor. Para a desmentir, vai ser necessário tempo, reunir informações, explicar contexto, combater crenças pré‑existentes de quem a ouviu, etc. etc. etc.
E, nos dias que correm, as redes sociais, pelo seu cariz instantâneo, ajudam a desequilibrar ainda mais esta "balança".
Por isso, para combater a desinformação, temos de investir em estratégias pró‑ativas de prevenção (educação, curadoria, boas normas de debate), e não só reagir desmentindo caso a caso.
Partilho convosco estes dois conceitos, pois parecem-me super-relevantes e interessantes para o momento que vivemos.
É importante entender a origem, em parte, de tantos negacionistas e outros criadores de factos alternativos. Compreender as suas necessidades e a luta que temos de travar com os mesmos, de forma desnivelada, poderão ajudar-nos a encontrar melhores estratégias.
Somos todos seres humanos à procura de certezas, uns de forma mais ética que outros, é verdade, mas todos falíveis. Gastemos mais energia a melhorar este mundo em que vivemos.
Tem uma boa semana!
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